elektro papos



beluluane take away



2 curvas depois da Motraco

parámos pra comprar água, pão e badjias

… e preservativos prá cabeça.

não estávamos afinal a metros da Lixeira de Mavoco ?


logo entrados na barraca, o que me surpreendeu não foi o facto de ali haver tudo pra vender. Foi antes o intrigante poster.

Um spreadsheet excel que sugeria algumas contas de Beluluane. Incluindo as da hidro-electricidade do Zambeze.


O Sr. Mkweni - dono da barraca - não quis explicar-me a aritmética do poster. Disse-me que a coisa era pró demorado - que tinha a ver com o impacto de circulação monetária e valor acrescentado. Falou mesmo em custos de contexto - o eufemismo local para contrapartidas.


mas, com a conversa a puxar pró chato, pus-me a milhas quando Mkweni não quis mostrar as outras folhas do calendário Beluluane - invocou pudor.


E confesso que ainda hoje não entendo o algoritmo eléctrico de Beluluane.


desconfio que é por causa das cacofonias que navegam o Rio Zambeze - o imperialismo Eskom, a aflitiva impotência HCB, e o minimal repetitivo moçambicano. Um autêntico nó górdio negocial que gravemente penaliza uma empresa - HCB. E pelo menos um Estado - Moçambique.


Diz-se que todas estas derrapagens negociais só acontecem porque o kapital HCB não tem dono - é tudo estatal, e os contribuintes são mantidos à margem do Zambeze. E muitos são os que não vêem nisto qualquer réstea de futuro.


curiosamente, a ainda para-estatal ESKOM continua a comprar hidro-electricidade do Zambeze por tuta e meia. E a vende-la à Mozal via promíscua multiplicação por 4 - em aritmética que não pertence ao léxico da decência.


E o negócio deve ser tão bom que a ESKOM continua a investir em alumínio. Agora em Coega onde, para além de investimentos de infra-estrutura eléctrica, esta empresa se prepara para investir 25 % dos $ 2.1 biliões USD que custarão as novas 460 000 TPA da Pechiney.


Entretanto, muita gente se interroga aonde irá a ESKOM buscar tanto dinheiro. Sobretudo para mais 900 MW rapidinhos se a inauguração de Coega for em 2007.


e na própria África do Sul há mesmo quem questione a oportunidade deste mega-deal - particularmente porque se antecipa a possibilidade de Coega representar uma outra exagerada pressão sobre os custos ESKOM - um vector em crescendo contínuo face a uma vertiginosa demanda de ponta.


Note-se que a 7 Julho 2003 o pico de ponta ESKOM atingiu 31733 MW.

E aproxima-se rapidamente dos 33 000 MW previstos para este ano financeiro. O que já causa dores de cabeça aos gestores ESKOM e ao governo sul-africano que passaram a admitir o facto publicamente - como aconteceu no recente seminário sobre eficiência energética em que quase todos os papers e discursos começaram com o tema - Crise de Potência de Ponta.


E face a crescimentos anuais de 4.37 % desde 1999 na rede ESKOM, não é claro onde se comprará viagra para tanta necessidade de ponta.



josé lopes

maputo - july 2003

agosto 2003

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